sábado, 6 de outubro de 2012

Mascote da Copa 2014 - Tatu-bola

Boa tarde, pessoal.
Está rolando uma campanha nas redes sociais para que não votemos nos nomes esquisitos que a FIFA escolheu para o nosso mascote fofinho Tatu-bola. Não sei como poderíamos realmente fazer barulho e realmente fazer acontecer a nossa indignação.
Mas recebi este texto do Arnaldo Viana e achei bastante oportuno, por isso estamos colocando ele aqui no Cenas Goianas.
Quem sabe, se todos começarem a manifestar sua opinião, conseguimos salvar o nosso mascote.
Abraços,
Cláu do Val

FÁBULA DO TATU-BOLA - ARNALDO VIANA
Publicação: última página do caderno CULTURA do Jornal ESTADO DE MINAS de 06/10/2012

Dia agitado na floresta. A bicharada toda estava na boca da toca do tatu-bola. Um pouco acima do buraco, a faixa dizia: “Viva o novo Código Florestal”. A onça, chefe de segurança da área, é a última a chegar. 

– O que houve aqui? 

– O cara, aí, o Bola, num tá numa boa. Acho…

A onça nem esperou o papagaio terminar. Botou a cabeça dentro do buraco. O Bola estava todo enrolado.

– O que é isso, amigo? Ficou louco? E a faixa? Quer acabar com a gente!

– Tomara que esse código venha logo. Com ele nas mãos, o deputado federal dono desta terra vai meter a serra elétrica nos arvoredos, vender a madeira para a serraria do irmão do senador e botar gado, muito gado neste chão.

– Pelo amor de Deus, Bola, vire essa boca pra lá!

– Que se dane a floresta, o regato, os pés de pau, a bicharada, o mundo…

– Por que tanta revolta, home?

– Você viu o que fizeram comigo? Primeiro, me elegem mascote da Copa de 2014. Fiquei prosa que nem o urubu quando o Flamengo ganha campeonato. Depois, jogaram um balde de água fria no meu orgulho. Aquilo é nome de bicho que se preza? Amijubi (leia-se Amijubí), Fuleco, Zuzeco… cruz-credo! Já virou zoação aí na mata. O que a Fifa pensa que é? O que ela sabe sobre a gente? Não importa o que os nomes significam, mas são palavras estranhas, Fuleco, Zuleco. Agora, dona onça, se não for pedir muito, pode me deixar sozinho?

A onça tirou a cabeça da toca, virou-se para a bicharada e gritou:

– Todo mundo para casa agora! Caso contrário, vou mandar meu auxiliar, o gambá, fazer a festa. 

Não precisou falar duas vezes. Bufa de gambá, ninguém merece. Depois de retirar e enrolar a faixa, a onça saiu pela clareira e entrou em outra parte da floresta à procura da coruja.

– Comadre coruja, precisamos da sua ajuda. O tatu-bola entrou em depressão. Está torcendo até pela destruição da mata. Não quer se alimentar, conversar, nada. Está lá, todo enrolado. Tudo por causa daqueles nomes arranjados pela Fifa.

– Comadre onça, sabe bem que meu ramo são os males do corpo. Problema emocional, de cabeça, é com o velho tamanduá.

– O tamanduá está é festejando o mal-estar do Bola. Diz que se o tatu morrer, é  menos um concorrente comedor de formiga e de cupim.

– Não acredito. O tamanduá não é tão ruim assim. Mas em se tratando de comida...

– E os parentes do Bola?

– O canastra está viajando; o rabo-mole, discriminado, é brigado com a família; o peba não tem muita inteligência; e o tatu-galinha só quer saber de namorar. 

– Mas temos uma saída. O sábio sabiá, sabia?

– Não.

– Pois é. Ele mora em BH. É um pássaro inteligente, culto. Dá aula de canto a outras aves na mata da UFMG. Mande ao sabiá uma mensagem pelo pombo-correio.

O sabiá voou, voou, voou. Convocou a bicharada para uma reunião na boca da toca do Bola e deitou falação:

– Amigos, não precisamos de palavras alienígenas para exprimir nossas emoções. O português, enriquecido por vocábulos africanos e indígenas, é extremamente rico. Para nós, uma só palavra pode significar muito. Se a gente aceitar essas indicações esdrúxulas da Fifa, já entraremos na Copa de 14 cultural e moralmente derrotados. O Bola, o nosso bolotinha, é brasileirinho como nós. Vamos reagir. Vou deixar uma urna aqui para que vocês depositem suas sugestões. Só assim vamos ajudar o Bola a recuperar a autoestima. E tenho dito.

Moral da história: Amijubi, Fuleco e Zuleco é o Fifafó de quem os inventou!!!!! 

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